Querida Cidade por Fernando Molica

Fernando Molica no Facebook

‘Querida cidade’, de Antônio Torres , é um livro forte, que condensa e amplia a obra desse grande escritor – as citações a outros de seus romances não são gratuitas, fazem parte de uma espécie de balanço dos desequilíbrios de tantas vidas.
Há um protagonista, que como em outros de seus livros, busca uma casa, alguma casa, mesmo que sua casa de origem. Viajar é preciso e incerto, pode levar a um manicômio, pode gerar o desejo de uma travessia de táxi até Viena d’Áustria, pode terminar em morte, pode apenas atestar uma derrota.
Mas o que vale mesmo é o processo, é o caminho, são as histórias, os desejos, os delírios, o que foi feito e o que não passou de projeto. Os sonhos não realizados existiram, também fazem parte da vida de todo mundo.
No romance, AT cita dezenas de canções, mas lembro de uma outra, ‘Samba do Irajá’, do igualmente grande Nei Lopes, que fala da sensação de na verdade “Não ter sido nem metade/ Daquilo que você sonhou”.
Mais uma vez, AT, baiano do Junco, volta pra casa e nos arrasta pelo caminho, como se levados pela água que, sem explicação, inunda nossas cidades, mistura nossas memórias, e lava só um pouco a nossa alma.

As gavetas nunca estiveram vazias: ditadura militar, escrita e resistência em Essa Terra

Artigo publicado na revista Entrelaces V. 10 Nº 22 – out/dez 2020 – Universidade Federal do Ceará – UFC

Por Vanusia Amorin Pereira dos Santos e Susana Souto Silva – Instituto Federal de Alagoas (IFAL) e Universidade Federal de Alagoas

Resumo

No final do século passado, parte da crítica literária se dedicou a avaliar a produção publicada nos anos da ditadura militar, debatendo sobre o modo como alguns autores reagiram – em suas obras – à censura e à repressão. Constataram que, à época, a literatura foi um dos meios para divulgar as atrocidades e evitar silêncios impostos, sendo o maior desafio publicar obras críticas à ordem política sem enveredar pelo maniqueísmo. Considerando o passado histórico e o momento presente, este trabalho demonstra como Torres transformou um tempo histórico em ficção, mais especificamente analisa a obra Essa Terra, e quais elementos estéticos foram usados na transfiguração do real em ficção. Seguiremos Bosi (1996;2002) e suas ideias sobra narrativas de resistência, bem como autores que abordam a relação livros e ditadura militar, como Pellegrini (1996) e Reimão (2011), dentre outros. Concluímos que Torres se opôs às forças ditatoriais, transformando em arte literária a tensão entre indivíduos e sociedade, de modo que criação e representação dialogassem entre si, superando assim os muros da política e refletindo sobre o literário.

Clique para abrir o PDF em outra aba:

As gavetas nunca estiveram vazias: ditadura militar, escrita e resistência em Essa Terra, de Antônio Torres.

Veja o artigo incorporado abaixo:

gavetas_nunca_estiveram_vazias_ditadura_militar_escrita_resistencia_essa_terra_antonio_torres_vanusia_amorin