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Um Cão
Uivando para a Lua (romance). Rio de Janeiro, Edições Gernasa, 1972;
3a ed., São Paulo, Ática, 1979. RELANÇAMENTO, EDITORA RECORD, CELEBRANDO TRINTA
ANOS DA PRIMEIRA EDIÇÃO, DEZEMBRO DE 2002. |
canibal
Meu Querido Canibal
Lançamento: 2001- Prêmio
Zaffari
& Bourbon 9a.Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo
Editora Record
192 páginas, formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 20,00
Nem Cabral, nem
Mem de Sá, nem Anchieta; aqui, o herói é Cunhambebe, chefe tupinambá
devorador de
portugueses. Em MEU QUERIDO CANIBAL, Antônio Torres se
debruça sobre a vida do
líder indígena para traçar um painel das primeiras décadas de história
brasileira.
Considerado o mais valente dos nativos que lutaram contra a “escravidão
ou
morte” proposta pelos colonizadores, Cunhambebe, que presumivelmente
morreu entre
1554 e 1560, era o mais temido e adorado guerreiro indígena, e sua vida
acabou sendo
envolta em mitos.
Torres aproveita
para jogar um holofote sobre a violência e arrogância dos primeiros
portugueses que por
aqui aportaram e a brava resistência dos índios. E para contar a
história do
homem-lenda Cunhambebe, Antônio mergulhou nos arquivos da história do
Brasil. Com rigor
histórico, mas narrado com a verve literária de Torres, o livro
acompanha a criação,
apogeu e massacre da Confederação dos Tamoios, a organização social das
tribos, o modo
de vida, a ligação com os piratas franceses, o papel ambíguo de
Anchieta, as mentiras e
trapaças dos conquistadores, a fundação sangrenta da cidade do Rio de
Janeiro, entre
muitos outros temas que não estão nos livros escolares.
esterra
Essa Terra

Editora
Record
192 páginas
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 18,00
ISBN:
85-01-06086-0
Um dos mais marcantes romances da literatura
brasileira
contemporânea, ESSA TERRA, do escritor Antônio Torres, é um relato
emocionante do
impacto da ‘cidade grande’ sobre
o
retirante, o imigrante nordestino. O próprio autor - nascido na pequena
cidade de Junco,
interior da Bahia - percorreu os mesmos caminhos dos seus personagens,
deixando o Nordeste
para procurar a sorte nas metrópoles do Sudeste. E a encontrou.
Para celebrar os 25 anos de carreira do escritor
Antônio
Torres, a Editora Record vai lançar uma edição comemorativa do primeiro
e mais famoso
livro do autor, ESSA TERRA, inicialmente publicado em 1976.
É a história de um homem que, depois de 20 anos
morando em
São Paulo, decide voltar à sua cidade de origem, no interior do sertão
nordestino. Lá
chegando, desilude-se com tudo que encontra e reencontra e acaba se
enforcando no gancho
de uma rede. A idéia para o livro surgiu, em 1973, num dia de crise no
trabalho, quando
Antônio ainda morava em São Paulo e a pressão do “louco motor paulista”
-
como diz Torres - fez com
que o então
redator publicitário se voltasse para as lembranças da sua terra natal.
Uma delas, a
história de um parente que havia supostamente ficado maluco, chamou
atenção do
escritor, após uma longa temporada em Portugal, quando ficou sabendo
que o tal homem
havia se matado, num gancho de rede.
Traduzido na França, Alemanha, Itália, Holanda, Inglaterra, Estados Unidos e Israel, ESSA TERRA já vendeu mais de 150 mil exemplares e chegará brevemente a Cuba, onde será editado pela Casa de Las Americas. Também tem sido motivo de teses acadêmicas em universidades brasileiras e do exterior, como a La Sapienza, de Roma, o Instituto Universitário Orientale, de Nápoles, e a Humboldt, de Berlim. Sua tradução francesa (por Jacques Thiériot) mereceu o Gran Prix Cultura Latina e contribuiu para Antônio Torres vir a ser condecorado pelo governo francês como Chevalier des Arts et des Lettres, em 1998. Em 2000, o reconhecimento nacional definitivo, ao receber o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da sua obra, que já conta com 12 títulos.
| Dezembro,
2002 Editora: Record ISBN: 850106534X Páginas: 192 Formato: 14X21 |
- Lançamento:
1972
- Páginas: 127
- Editora:
1a. Edição: Edições Gernasa
2a. Edição: Edições Rio/Brasília
3a. Edição: Ática
- Traduzido para espanhol ("Un Perro Aullándole a la Luna").
"Ocorre que estive muito só, durante a vida toda, mas agora estou mais sozinho do que nunca. E ainda vem esse imbecil me falar do dinheiro que está ganhando. Também já passei por isso, rapaz. Já estive do lado de lá. Até o dia em que uma espécie de curto-circuito milagroso rompeu os fios que ligam a minha cuca aos dedos das mãos - e não pude mais bater nas teclas da máquina de escrever."
Foi com UM CÃO UIVANDO PARA A
LUA que Antônio Torres estreou na literatura, em 1972, sendo
imediatamente aclamado como
"um talento explosivo" (Leo Gilson Ribeiro, revista Veja), "um senhor
ficcionista", segundo Jorge Amado, e "a estréia mais significativa"
daquele ano (Hélio Pólvora, Jornal do Brasil). UM CÃO UIVANDO PARA A
LUA fez mais do
que surpreender os meios literários: foi também um sucesso de público. "Ninguém sabia quem era Antônio Torres, embora este seja uma das maiores revelações de escritor surgidas no Brasil ultimamente. Este romance de estréia tem uma força surpreendente e atinge em certos trechos a altura da melhor ficção nacional. A linguagem realista, seca e coloquial, e a riqueza de situações fazem esperar desse autor obras ainda mais importantes."
O
que se confirmou.
Hoje, com mais de uma dezena de títulos publicados, Antônio Torres
figura entre os
escritores brasileiros mais respeitados e mais lidos, com muitos
prêmios, sucessivas
edições, traduções em vários países e condecorado pelo governo francês
como
Chevalier des Arts et des Lettres. Mas tudo começou mesmo foi com este
UM CÃO UIVANDO
PARA A LUA, há trinta anos, "a feliz estréia", "o uivo de uma
geração", que a Record relança agora em edição comemorativa.
"Antônio Torres, longe de esquecer suas origens e sua terra, a elas
retorna por meio
da ficção, inserindo-as na geografia literária."
- Jornal da Tarde
"O trabalho de Torres é um desafio; oferece uma maravilhosa
oportunidade para
aprender sobre pessoas e culturas que nos compreendem mais do que nós a
elas."
- Los Angeles Times Book Review
"Não há no trabalho de Torres nenhum rastro de pieguice. Ao contrário,
toda
emoção é burilada com bom humor e uma dose de elegante ironia."
- Revista Isto É
"O livro é excelente. Gostei muito. Antônio Torres é um senhor
ficcionista e tenho
certeza que irá muito longe."
- Jorge Amado
"Um cão uivando para a lua é um desses livros raros, que não se
consegue deixar de
lado antes do fim. Violento, envolvente e, sempre, terrivelmente
sincero."
- Caio Fernando Abreu
"Trata-se de uma experiência muito bem-sucedida, fundindo uma
literatura urbana
ultra-sofisticada com um regionalismo inteiramente despojado dos
cacoetes tradicionais do
gênero: um grande livro."
- Marcos Santarrita
Editora Record
Páginas: 288
Preço:
R$ 25,00
1a. Edição: (1973) Francisco Alves Editora
2a. Edição: Círculo do Livro
"Quando o vi fazendo
aquilo, pensei que ele estivesse
com frieira nos dedos dos pés. O homem descalçou as botas e pisou na
bosta quente da
vaca - e só eu vi isso, sem que ele me visse. Parecia experimentar um
delicioso e
estranho prazer, e era até possível adivinhar um sorriso em seu rosto
duro. Eu o via da
varanda, por trás da janela de vidro, e ele estava de costas para mim e
foi por isso que
não me viu. Mexia com os pés, como quem marca o ritmo de uma música.
Também o vi
caminhando depois com as botas na mão e as calças arregaçadas. Saiu
pisando sobre o
estrume seco do gado, até alcançar a grama, onde limpou os pés no
orvalho. Os outros
estavam dormindo. E os homens do curral estavam muito ocupados. Nesse
mesmo dia descobri
que ele sempre fazia aquilo, toda vez que vinha para cá. Assim que
acordava - e era
sempre o primeiro a acordar - ia direto para o curral. Depois calçava
as botas e se
enfiava nas suas vinhas, de onde só voltava aí pelas 10 horas da manhã.
- Por que ele faz isso ?
- Porque gosta, uai."
“Com OS
HOMENS DOS PÉS REDONDOS, Antonio Torres
confirma o seu talento e amplia o seu universo. É o que se pode chamar
um autor
‘internacionalista’.” — Tribuna
da Imprensa
“Transparente, perfeito, musical e cadenciado, OS HOMENS DOS PÉS REDONDOS é um excelente livro.” — O GLOBO
- Lançamento:
1978
- Páginas: 107
- Editora: Ática
- 3a. Edição
"Corra
Dom Luís chegue logo me socorra vou
cair não quero cair não posso amanhã tem eleição tiros trovejam povo
corre se embola
sapateia dança esperneia eu fraquejo pernas por favor me dê sua mão
preciso ir lá
depressa Dom Luís socorro me ajude estou rodando girando escorregando
caindo barriga
queimando tripas enrolando eu chegando altar primeira comunhão filas
meninas meninos
demoraram eu chegando atrasado padre enfiando hóstia minha boca hóstia
batendo dentro
barriga jejum tripas não agüentam peso corpo Cristo vou cair introibo
ad altere Dei
rápido Dom Luís sangue escorre minhas tripas sangue boca venta sangue
sangue sangue
hóstia corpo Cristo meu corpo pesado peso corpo Cristo vou cair vou
cair vou cair chegue
Dom Luís chegue Dom Luís chegue Dom Luís
(...)
- Gil, você não pode morrer.
- Gil, você não pode morrer.
- Gil, você não pode morrer.
Bispo implora, o Bispo pede, o Bispo chama - um Bispo desesperado,
segurando em seus
braços, no seu colo, o corpo de um homem que na verdade conhecia muito
pouco.(...)
Havia deixado uma carta dentro de uma latinha em cima do fogão. Isso já
não importava.
Havia deixado duas paredes marcadas com as palmas de suas mãos. Também
não importava.
Era só pintar as paredes. Havia derramado muito sangue pelo chão.
Bastava lavar o chão.
Amanhã iria para a cadeia, por causa de um desfalque. Mas isso era
amanhã. Então ele
pensou:
- Pois é, Dom Luís. Não sei se ganhei ou se perdi.
E o Bispo, também pensando:
- Não sei mais se acredito em Deus, ou se este homem tem sangue de
cavalo.
- Lançamento:
1981
- Páginas: 159
- Editora: Ática
- 3a. Edição
"Braços
abertos para a estrada amarela e
suarenta que ia e vinha, o cruzeiro abençoava os que chegavam e os que
partiam. Braços
abertos para a humilde rua lá embaixo, um buraco de solidão e poeira,
ele também
abençoava os que ficavam. Não, o cruzeiro não estava voando. Foi uma
nuvem que passou
depressa, com uma feliz lufada de vento. Depois tudo voltou a ser o que
era: sol e
mormaço, suor e tristeza. O que voara fora a saia de Virinha. Os
cabelos de Virinha. A
cabeça de Virinha. Virinha, a menina Elvira, quase uma moça, que
acabava de ter visto a
cara de Cristo no topo da cruz. Virinha ficou desconcertada com a
expressão de ódio e
dor do rosto de Jesus e, mais que depressa, desviou os seus olhos,
levando-os para a
estrada. E lá se ia o caminhão - roncando, sumindo. O caminhão que a
trouxera e agora
não a levaria mais para lugar nenhum. Lá se ia o seu sonho. Assim era
demais. Cristo
tinha visto tudo."
Editora Record
176
páginas
Preço: R$ 18,00
Formato: 14X21cm
ISBN:
85010551826
Numa dessas manhãs tórridas de verão carioca, um
homem acorda,
suando, com a cabeça dolorida do porre da noite anterior. Álcool,
calor, a confusão
mental é inevitável: o sujeito entra numa espécie de transe e, pela
parede de seu
quarto, começam a desfilar, como em um filme, personagens e fatos de
sua vida particular
e de toda uma nação. Em duas horas, resgata aventuras perdidas no tempo
— um tempo
que começa antes do golpe de 64. Assim começa BALADA DA INFÂNCIA
PERDIDA, de Antônio
Torres, obra que recupera a história de uma geração que se perdeu no
meio do caminho e,
ao atingir os 40 anos, metade dos quais vividos sob uma esmagadora
ditadura, se descobre
engolida por uma rebordosa econômica. Uma viagem através de fatos
históricos e sociais
que marcaram o país durante 25 anos.
Antônio Torres conta que o livro foi inspirado no
poema Balada da
pracinha, de Federico García Lorca. Os versos causaram uma revolução na
cabeça de
Torres que resolveu, então, exorcizar, através das letras, os seus
fantasmas pessoais e
os de toda uma geração de brasileiros. Assim, encontramos em A BALADA
DA INFÂNCIA
PERDIDA resgates autobiográficos da vida do escritor, que nasceu em
Sátiro Dias,
interior baiano, e veio para o Rio de Janeiro, onde se lançou como
escritor.
- Lançamento:
1986
- Páginas: 176
- Editora: Nova Fronteira
- Traduzido para Inglês (Blues for a Lost Childhood).
"E
durma-se com um barulho desses.
A princípio eram dezenas, que passaram às centenas e foram se
multiplicando por
milhões. Impossível contá-los. Tudo o que eu sei é que é um belíssimo
desfile de
caixõezinhos azuis, carregados por meninos e meninas de azul e branco,
em intermináveis
filas uniformizadas: até parece o Dia da Pátria. Uma festa. E um imenso
alívio: cada
caixãozinho é menos uma boca no mundo. Como um bom cristão que cumpre o
seu dever, eu
os sigo. Ora pegando numa alça, ora na simples condição de
acompanhante. De vez em
quando tento identificar, no meio do cortejo azul, os meus dois
irmãozinhos que choraram
uma noite inteira até apagarem para sempre, como as cigarras, que
cantam até pipocar.
Procura inútil."
“ A coerência do projeto ficcional de Antonio Torres se comprovamais uma vez numa sujestiva balada(...)” — Jornal do Brasil
“(...)A ficção de Antônio Torres vem desenhando um curioso e singular perfil.” — O Globo
meninos
Meninos eu conto
Editora
Record
Formato: 12 x 21 cm
Preço: R$ 9,00
ISBN: 85-01-05566-2
MENINOS, EU
CONTO reúne três histórias ligadas à infância de Antônio Torres. São
contos
singelos, escritos mais com a emoção do que com a razão para crianças e
adolescentes.
Um mundo de gente muito simples, mas cheio de encantamento e de
personagens que se
tornaram inesquecíveis para o autor. As histórias contam as dores do
crescimento, os
conflitos e sonhos de jovens muito parecidos com o menino que Antônio
foi um dia.
Antônio Torres
nasceu em
1940, num povoado chamado Junco (hoje a cidade de Sátiro Dias), no
sertão da Bahia.
Descobriu a vocação literária na escola rural de sua terra, incentivado
pela
professora. Logo começou a escrever as cartas dos moradores da cidade,
a recitar poemas
de Castro Alves na pracinha da cidade, a ajudar o padre a rezar missa
em latim. Estudou em
Alagoinhas e Salvador, onde se tornou repórter do Jornal da Bahia. Foi
jornalista e
publicitário em São Paulo e em Portugal. Depois de muitas andanças pelo
país e pelo
mundo, radicou-se no Rio de janeiro. Hoje é um dos escritores mais
conhecidos de sua
geração, com livros traduzidos em muitos países.
“Um
artesão do texto mais seguro e cheio de inventos.” — Estado
de S. Paulo
“Não há no trabalho de Torres nenhum rastro de pieguice que costuma assolar as reminiscências dos paus-de-arara de diferentes calibres... imortalizados por Graciliano Ramos. Toda emoção é burilada com bom humor e uma dose elegante de ironia.” — IstoÉ
Um táxi Para Viena d´Áustria
Lit.Bras-Romance
Record 2002
ISBN:850106243X 224 Pgs.14X21 Antônio Torres
Lançamento em 1991
- Páginas: 180
- Editora: Companhia das Letras
- 3a. Edição
- Traduzido para Francês (Un Taxi Pour Vienne D´Autriche).
"É Viena que me
tortura ? Viena, Zurique, Paris, Roma,
London-London, Frankfurt, Berlim, Nova York, Mozart ? Ai, esses olhos
de Helena
Rubinstein. Mas não me chamo Heleno. Sou um terceiro qualquer coisa...
qualquer coisa
merencórdia. Terceiro, terzo, third, tiers. Passageiro de um táxi
amarelo de terceira
classe. Louco de vontade de chegar logo na fila onde os nativos de
Curaçao e do Suriname
disputam a tapa uma vaguinha para lavar os canais de Amsterdam.
Por um salário de mil dólares."
- Lançamento:
1996
- Páginas: 66
- Editora: Relume-Dumará
- 2a. Edição
- Escrito para a série "Cantos do Rio", em co-edição com o RioArte, da
Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro.
"Comecemos
pelo aeroporto Santos Dumont, onde
um dia, um rapaz de 20 anos chegou, olhou a cidade de longe e foi
embora.
Eu me lembro: era uma bela tarde de janeiro, o mês do Rio. Céu de
brigadeiro. O
esplêndido azul de Machado de Assis. O azul demais de Vinícius de
Moraes. Ano: 1961.
O passageiro estava em trânsito. Vinha da Bahia com destino a São
Paulo. Desceu aqui
para fazer uma conexão, depois de cinco horas preso numa cadeira de uma
geringonça
ensurdecedora e vagarosa, relíquia aeronáutica da Segunda Grande
Guerra. Um pau-de-arara
do ar chamado Curtis Commander que, mal avistava uma pista de
aterrissagem, ia baixando.
Descer no Rio havia sido uma bênção. Para os seus ouvidos, suas pernas,
seus olhos.
Assim o vejo: olhando a cidade por trás dos vidros que o enjaulavam no
saguão do
aeroporto, enquanto aguardava a chamada para o embarque. (...) Já que
não podia sair,
contentou-se em olhar a distância a cidade que só conhecia de prosa e
verso, cinema e
canções. E tudo nela, que vinha dela, o fascinava. E dava medo.
Imaginava-a fora da rota
dos imigrantes, inatingível para principiantes. O Rio era a Corte - dos
sabidos e
malandros. Suas artes e letras, sua natureza deslumbrante ("Deus fez o
mundo em sete
dias, dos quais tirou um para fazer o Rio de Janeiro", dizia a voz de
ouro de Luiz
Jatobá, num documentário de Jean Mazon), o atraíam. Mas a manchete do
jornal comprado
na banca do aeroporto o amedrontava. Era sobre uma operação de
extermínio chamada de
mata-mendigo. E ali estava ele, entre duas visões da cidade: uma
sedutora, outra
assustadora. (...) O Rio não era uma cidade para capiaus, tabaréus da
roça."
Editora Record
Lançamento: 1997
Páginas: 224
Preço: R$ 18,00
"Eis-me de regresso a essa terra de filósofos e
loucos, a começar pelo meu pai, que disso tudo tem um pouco.
E se aqui estou é por causa dele mesmo. Ou melhor, dos seus oitenta
anos. Foi uma festa
de arromba, me disseram. No dia seguinte !
Um presente de grego, pensei, sem saber se ria ou chorava. Sim, só
fiquei sabendo quando
tudo já tinha acabado e todos já estavam pegando o caminho de volta. E
aí uma boa alma
deu por falta de uma rês que fazia muito se desgarrara do rebanho.
(...)
- Sabe quanto tempo faz que você não põe os pés aqui ?
- Sei, claro.
- Então diga, com a sua própria boca.
- Desde que saí daí.
- E quantos anos faz isso ?
- Um bocado de tempo.
- Vinte anos, seu cachorro. Isso é coisa que se faça ? Não tem
vergonha, não ? Vinte
anos sem uma única palavra. Por que você faz isso com a gente ?
Por quê ? Por quê ? Por quê ?
Era uma longa história. Não daria para contá-la pelo telefone. (...)"
Antônio Torres em outros idiomas
-
Espanhol
Um Cão Uivando para a Lua (Un Perro Aullándole a la Luna)
Tradução de Roberto Romero Escalada
Editorial Sudamericana, 1979, Buenos Aires
Essa Terra (Esa Tierra)
Tradução de Rodolfo Alpizar Castillo
La Honda / Casa de las Américas, 2000, Havana, Cuba
Meu Querido Canibal (Mi Querido Caníbal)
Tradução de José Luís Sanchez
Poliectro, 2004, Barcelona, Espanha
- Inglês
Essa Terra (The Land)
Tradução de Margaret A. Neves
Reader´s International, 1987, London & Columbia
Balada da Infância Perdida (Blues for a
Lost
Childhood)
Tradução de John Parker
Reader´s International, 1989, London & Columbia
- Francês
O Cachorro e o Lobo (Chien et Loup)
Tradução de Cécile Tricoire
Editora Phébus, 2000, Paris
Um Táxi para Viena D’Áustria (Un Taxi Pour Vienne D´Autriche)
Tradução de Henri Raillard
Gallimard, 1992, Paris
Essa
Terra (Cette Terre)
Tradução de Jacques Thiériot
Éditions A.M. Métailié, 1984, Paris - 2ª edição 2002
- Alemão
Essa Terra (Diesse Erde)
Tradução de Ray-Güde Mertin
Edition Suhrkamp, 1986, Frankfurt
Aufbau-Verlag, 1990, Berlin
- Italiano
Essa Terra (Questa Terra)
Tradução de Adelina Aletti
Biblioteca del Vascello, 1995, Roma
- Hebraico
Essa Terra (Haedma Hatzeat)
Tradução de Mirian Tivon
Ma´riav Book Guild, 1992, Tel-Aviv
- Holandês
Essa Terra (Dit Stuk Grond)
Tradução de August Willemsem
Neuléntioff, 1999, Amsterdam
Imagens cedidas
pela Editora Record e por Gabriel Torres © 1997
webmaster juniorcavadas@hotmail.com