"Essa Terra é o romance inaugural de uma trilogia escrita em estado de graça". Teolinda Gersão, no Jornal de Letras, de Lisboa.

A edição portuguesa é da Teodolito, e liderou as vendas do festival Correntes d' Escritas, de Póvoa de Varzim, realizado de 23 a 27 de fevereiro de 2016. "Um livro que merece ser lembrado", escreveu João Morales, na "Time Out". "Muito inventivo", segundo o crítico do semanário português "Expresso", José Mário Silva.

Capas de Essa terra (edição portuguesa), O cachorro e o lobo (edição no Paquistão) e Pelo fundo da agulha (edição na Bulgária)

a.gif (659 bytes)ntônio Torres nasceu no pequeno povoado do Junco (hoje a cidade de Sátiro Dias), no interior da Bahia, no dia 13 de setembro de 1940. Ainda menino, mudou-se para Alagoinhas para fazer o ginásio. Mais tarde foi parar em Salvador, capital baiana, onde se tornou repórter do Jornal da Bahia. Aos 20 anos, transferiu-se para São Paulo, empregando-se no diário Última Hora. Lá, mudou de ramo e passou a trabalhar em publicidade. Viveu por três anos em Portugal e atualmente dedica-se exclusivamente à atividade literária. Mora em Itaipava, Petrópolis, RJ, depois de viver no Rio de Janeiro por várias decádas. É casado com Sonia Torres, doutora em literatura comparada, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), e tem dois filhos, Gabriel e Tiago.

Aos 32 anos, Antônio Torres lançou seu primeiro romance, Um cão uivando para a Lua, que causou grande impacto, sendo considerado pela crítica “a revelação do ano”. O segundo, “Os Homens dos Pés Redondos”, confirmou as qualidades do primeiro livro. O grande sucesso, porém, veio em 1976, quando publicou Essa terra que aborda a questão do êxodo rural de nordestinos em busca de uma vida melhor nas grandes metrópoles do Sul, principalmente São Paulo.

Considerado uma obra-prima, Essa terra ganhou uma edição francesa em 1984, abrindo o caminho para a carreira internacional do escritor baiano. Está publicado na Argentina, Cuba, França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Estados Unidos, Israel, Holanda, Espanha, Portugal, Bulgária, Croácia, Paquistão, Adjerbaijão, Albânia, Romênia e Vietnã. Em 2001 a Editora Record lançou uma reedição comemorativa (25 anos) de Essa terra.

Torres, porém, não restringiu seu universo ao interior do Brasil. Passeia com a mesma desenvoltura por cenários rurais e urbanos, como em Um cão uivando para a Lua, Os homens dos pés redondos, Balada da infância perdida e Um táxi para Viena d’Áustria.

Em 1997, Torres decidiu retornar ao tema e aos personagens do consagrado Essa terra. Vinte anos depois, narrador e protagonista voltam à pequena Junco em O cachorro e o lobo, para encontrar uma cidade já transformada pela chegada do progresso. É um romance de fina carpintaria literária que foi saudado pela crítica, tanto no Brasil como na França, onde foi publicado em 2001.

Foi condecorado pelo governo francês, em 1998, como “Chevalier des Arts et des Lettres”, por seus romances publicados na França até então (Essa terra e Um táxi para Viena d'Áustria). Em 2000, ganhou o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da sua obra. Em 2001, foi o vencedor (junto com Salim Miguel por Nur na escuridão) do Prêmio Zaffari & Bourbon, da 9a. Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, RS, por seu romance Meu querido canibal, no qual Torres se debruça sobre a vida do líder tupinambá Cunhambebe, o mais temido e adorado guerreiro indígena, para traçar um painel das primeiras décadas da história brasileira. Em 8 de dezembro de 2016 foi eleito o vencedor do mais importante galardão da Academia Carioca de Letras, o Grande Prêmio Cidade do Rio de Janeiro, pelo conjunto da sua obra.

Dando sequência às suas pesquisas históricas, escreveu o romance O nobre sequestrador, que trata da invasão francesa ao Rio de Janeiro em 1711, comandada por Renè Duguay-Trouin, o corsário de Luís XIV, que sequestrou a cidade durante 50 dias, até que lhe fosse pago um alto resgate para que ela fosse devolvida a seus habitantes. O nobre sequestardor foi finalista no Prêmio Zaffari & Bourbon de 2003.

Em 2006, Antônio Torres publicou o romance Pelo fundo da agulha, com o que fechou uma trilogia iniciada com Essa terra e prosseguida com O cachorro e o lobo. Este livro foi um dos vencedores do Prêmio Jabuti e finalista do Prêmio Zaffari & Bourbon, da Jornada Literária Nacional de Passo Fundo.

Eleito para a Academia Brasileira de Letras em 7/11/2013, nela foi empossado no dia 9/4/2014, passando a ocupar a cadeira 23, cujo patrono é José de Alencar, e que teve como fundador Machado de Assis e, na linha sucessória, Lafaiette Rodrigues Pereira, Alfredo Pujol, Otávio Mangabeira, Jorge Amado, Zélia Gattai e Luiz Paulo Horta. Ele foi recebido na ABL pela romancista Nélida Piñon

Em resumo: autor premiado, com várias edições no Brasil e traduções em muitos países, Antônio Torres é um dos nomes mais importantes da sua geração, com um obra expressiva que abrange 11 romances, 1 livro de contos, 1 livro para crianças, 1 livro de crônicas, perfis e memórias. Além de dois projetos especiais (O centro das nossas desatenções, sobre o centro do Rio de Janeiro - e que rendeu um documentário para a TV Cultura, São Paulo -, e O Circo no Brasil, da série História Visual, da Funarte, Fundação Nacional de Arte).

Capa do caderno literário do jornal Le Monde (França) dedicado à literatura latino-americana. O nome de Antônio Torres aparece ao lado de Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Dyonélio Machado, Graciliano Ramos e Moacyr Scliar.

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BIBLIOGRAFIA

Um cão uivando para a lua - 1972
Os homens dos pés redondos - 1973
Essa terra - 1976
Carta ao bispo - 1979
Adeus, velho - 1981
Balada da infância perdida - 1986
Um táxi para Viena d’Áustria - 1991
O centro das nossas desatenções - 1996
O cachorro e o lobo - 1997
O circo no Brasil - 1998
Meninos, eu conto - 1999
Meu querido canibal - 2000
Essa Terra (edição comemorativa de 25 anos) - 2001
O Nobre Sequestrador -  2003
Pelo Fundo da Agulha - 2006
Minu, o gato azul - 2007 (história para crianças)
Sobre pessoas - 2007 (crônicas, perfis e memórias)
Do Palácio do Catete à venda de Josias Cardoso - crônica, 2007

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